Pesquisa na pandemia: como desenvolver pesquisa e inovação em tempos de atividades remotas

quarta-feira, 19 de maio de 2021

IFC e a Pandemia: O Instituto Federal Catarinense apresenta uma série de matérias sobre os desafios enfrentados pela instituição após pouco mais de um ano de pandemia mundial de Covid-19. Os textos serão publicados semanalmente, com o objetivo de traçar um panorama completo e transparente sobre os desafios enfrentados pela instituição neste período tão grave da história de nosso país.

Entre os assuntos mais comentados desde o início da pandemia de Covid-19 está o desenvolvimento de pesquisas em diferentes áreas do conhecimento, com destaque para as relacionadas à produção de vacinas. Entretanto, diversas outras pesquisas são fundamentais para o desenvolvimento mundial. No Instituto Federal Catarinense (IFC), assim como nos demais institutos federais e universidades públicas, a pesquisa é uma das bases do tripé: ensino, pesquisa e extensão. E a suspensão das atividades presenciais, ocasionada pela pandemia do coronavírus de Covid-19, também impactou as atividades e projetos de pesquisa institucionais.

De acordo com a pró-reitora Fátima Peres Zago de Oliveira, na pró-reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (Propi) do IFC o desafio foi manter todas as atividades relacionadas aos projetos de pesquisa, aos cursos da pós-graduação, à editora do IFC, ao Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), além da organização da 13ª edição da Mostra Nacional de Iniciação Científica e Tecnológica Interdisciplinar (Micti) e 2ª da Feira Epromundo, realizadas no formato online em parceria com as pró-reitorias de Ensino e Extensão.

Para dar continuidade às atividades da Propi, Oliveira conta que a equipe precisou readaptar processos, redefinir relações, rotinas, ações existentes e novas formas de convivência e desenvolvimento das atividades. “Vários foram os desafios, contemplando as diferentes frentes em que a Propi atua, sempre em consonância com as deliberações pelo Comitê de Crise do IFC, tendo como principal objetivo a preservação da vida. A principal estratégia utilizada para solucionar esses desafios foi garantir o coletivo colaborativo da Propi na condução das atividades e chamadas públicas para que todos tivessem as mesmas condições de acesso. Para os editais foram feitos editais complementares e suplementares quando não atingidos os objetivos de submissão. Para isso, foram realizados encontros virtuais da equipe da Propi com os diretores de Ensino, Pesquisa e Extensão e coordenadores de pesquisa dos campi para motivação das submissões de projetos pelos professores. Houve também a possibilidade de adaptação dos projetos, principalmente quanto à sua metodologia para que os coordenadores e orientadores pudessem executar as pesquisas com os bolsistas de forma remota”, explica.

Dentre as principais mudanças, a pró-reitora destaca a gestão dos editais internos e externos. Quanto aos internos, Oliveira revela que houve uma redução de projetos submetidos aos editais de Pesquisa lançados em todos os anos ou desistência de projetos ou de bolsas já concedidas, principalmente os que envolvem bolsas do Ensino Médio. Já os externos tiveram aumento significativo. “Neste período de pandemia, a Propi esteve envolvida no gerenciamento de 33 editais. Tivemos alterações em 35% dos projetos referentes aos editais do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica Pibic/Ensino Médio, principalmente os relacionados na área das ciências agrárias e/ou laboratórios. Já os de nível superior desistência de 5% (editais do Pibic e do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação – Pibiti). Nos vinculados às Coordenações de Pesquisa e ao Comitê de Ética no Uso de Animais (Ceua), não houveram suspensões, cancelamentos ou desistências, por serem atividades possíveis de serem executadas remotamente. Os editais do orçamento institucional ocorreram após iniciado o período de pandemia, então praticamente não tivemos suspensões, cancelamentos ou desistências, o que tivemos foi uma dificuldade em implantar e dar continuidade aos projetos em função de que há exigência de um estudante bolsista de ensino médio”, esclarece a professora.

Além dos editais de pesquisa, a Propi também é responsável pela coordenação das atividades do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), garantindo o fomento à pesquisa aplicada, à proteção da propriedade intelectual e a transferência de tecnologia. “Tivemos um aumento no fomento se compararmos aos anos anteriores nos editais coordenados pelo NIT, totalizando o gerenciamento de nove editais. Em relação a proteção à propriedade intelectual permanecemos na média de 2019 e 2020 (melhores resultados desde a criação do NIT em 2011), chegando próximo ao meio do ano com 15 processos de registro e o serviço está ocorrendo normalmente mesmo com a questão da pandemia. Em se tratando da transferência de tecnologia, estamos em estágio inicial. Esse serviço deve ainda ser consolidado no âmbito do IFC para termos um resultado satisfatório. As atividades centrais do NIT não foram afetadas, com exceção da visita anual aos campi do IFC, esta demanda teve que ser suspensa até a segurança do retorno com responsabilidade das atividades presenciais”, declara Oliveira.

Segundo a pró-reitora, a suspensão das atividades presenciais também impactaram a realização dos cursos de pós-graduação. “Na pós-graduação foram necessárias adaptações no procedimento das aulas e revisão dos calendários. Já os trabalhos na Editora do IFC seguiram sem muitas alterações durante a pandemia. Assim, garantimos a publicação dos e-books advindos de demandas internas do IFC e o pleno funcionamento do Portal de Publicações Eletrônicas do IFC, onde se encontram hospedados os periódicos e anais de eventos institucionais”, informa. Todas as publicações estão disponíveis gratuitamente na página na Editora.

“Houve maiores dificuldades no desenvolvimento das atividades neste período. Porém, sempre com prioridade aos cuidados com a vida, a Propi trabalhou em consonância com as indicações do Comitê de Crise do IFC e acatados pela gestão, assim como os demais setores. Todas as pesquisas que exigem prática ou laboratórios não puderam ocorrer da maneira em que foram planejadas, porém com adaptações realizadas e formalizadas, já que a pandemia impediu o acesso dos estudantes ao IFC. Mesmo adaptando para pesquisa teórica ou pensando em pesquisas nas áreas que não exigem essas situações, foi um reaprendizado orientar o estudante bolsista ou voluntário à distância. Temos que considerar ainda que nem todos os bolsistas têm acesso a um computador exclusivo, internet de boa qualidade e um local adequado para as horas destinadas à pesquisa. O acesso à biblioteca para a pesquisa dos referenciais teóricos, antes rotineiro, também foi atingido”, finaliza Oliveira.

 

IFC e a Pandemia: Confira também a entrevista com a reitora do IFC, Sônia Regina Fernandes, publicada em “Desafios, vitórias e quebras de paradigmas: a batalha do IFC contra o coronavírus”; como funciona o Comitê de Crise criado pelo Instituto para lidar com a Covid-19, em “Resiliência e amadurecimento: Comitê de Crise do IFC atua para minimizar os impactos da pandemia”; os desafios de adaptação dos processos de Ensino durante o período, em “As transformações no Ensino e a importância de manter o IFC presente”; e o processo de reformulação das atividades administrativas e financeiras em “Desafios e soluções: como a equipe administrativa se inovou na gestão do orçamento institucional durante a pandemia”; como prosseguir com a Extensão em um período no qual o contato direto representa perigo para a saúde em “Preservando o presente e fortalecendo o futuro: a Extensão em tempos de pandemia“; as estratégias adotadas para trabalho remoto dos servidores e para o ingresso dos estudantes em “Trabalho, tecnologia, ingresso e planejamento: as transformações do Desenvolvimento Institucional”.

Texto: Cecom/Reitoria/Rosiane Magalhães
Arte: Cecom/Reitoria/Andréa Santana