Preservando o presente e fortalecendo o futuro: a Extensão em tempos de pandemia

terça-feira, 27 de abril de 2021

IFC e a Pandemia: Instituto Federal Catarinense apresenta uma série de matérias sobre os desafios enfrentados pela instituição após pouco mais de um ano de pandemia mundial de Covid-19. Os textos serão publicados semanalmente, com o objetivo de traçar um panorama completo e transparente sobre os desafios enfrentados pela instituição neste período tão grave da história de nosso país.

A Extensão é um dos pilares — juntamente com o Ensino e Pesquisa  — que sustentam as atividades educacionais do Instituto Federal Catarinense. É por meio da Extensão que o IFC troca saberes e conhecimento com a comunidade externa, contribuindo ativamente para o desenvolvimento da sociedade na qual está inserido. 

Por definição, os projetos da área envolvem contato direto com a comunidade. Com a chegada da pandemia da Covid-19 e a consequente suspensão das atividades presenciais, a instituição se encontrou diante de um dilema: como prosseguir com a Extensão em um período no qual o contato direto representa perigo para a saúde?

Coube à Pró-Reitoria de Extensão (Proex) enfrentar esta questão. Após uma curta suspensão das atividades, no período inicial de incertezas quanto à duração da pandemia, o órgão passou a buscar alternativas para manter os trabalhos na ativa, conforme explica o pró-reitor, professor Fernando Taques.  “A preocupação primordial, naquele instante, foi com nossos extensionistas. Embora trabalhemos junto à comunidade externa, em uma situação como essa, a responsabilidade primordial do IFC é com a segurança dos nossos servidores e, principalmente, dos nossos estudantes. Então, no primeiro momento, seguimos à risca o decreto do Estado que determinava a paralisação das atividades”. 

À medida em que o quadro sanitário evoluiu, e ficava claro que a crise sanitária iria durar mais do que o previsto, o impacto sofrido pelos projetos de Extensão se tornava mais evidente.  A Proex se reuniu, então, com as pró-reitorias de Ensino (Proen) e Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Propi) para adereçar o problema. “Extensão implica em contato, vai além dos limites da Instituição… e isso está obviamente impossibilitado. Foi necessário, portanto, desenvolver um novo tipo de contato, uma outra aproximação. Elaboramos então o memorando 40/2020, que possibilitou que os projetos em andamento fossem adaptados a essa nova realidade — ou, dependendo do caso, até mesmo cancelados”, conta o pró-reitor. 

De acordo com o documento, tais adaptações deveriam resultar em um trabalho de combate à pandemia, levando à comunidade esclarecimentos sobre o coronavírus e a Covid-19. “Muitos dos projetos em 2020 foram retrabalhados neste sentido, buscando formas de divulgar essas informações — como, por exemplo, postagens nas mídias sociais e criação de materiais informativos, entre outras”, conta Taques, acrescentando que o uso destas tecnologias ajudou a manter o elo entre o IFC e a sociedade. “A grande maioria dos projetos envolve estar fisicamente com pessoas… se existe extensão, existe aglomeração! E isso foi justamente o que foi tolhido; não pôde mais haver o encontro. Diante disso, como é que poderíamos, então, entrar em contato com o mundo além dos ‘muros’ do Instituto? Trabalhar com as mídias sociais foi a forma que encontramos para responder este questionamento. É importante apontar que o IFC foi um dos primeiros Institutos do país a tomar esse tipo de providência, buscando preservar a saúde de nossa comunidade acadêmica, mas dando condições também para que os projetos continuassem existindo, ainda que com outro foco, com outras formas de interação”. 

Taques destaca que essa abordagem também foi essencial para aumentar o alcance dos esclarecimentos sobre a pandemia. “As pessoas tendem a acreditar que a tecnologia é direcionada somente para os jovens; no entanto, nós sabemos que pessoas de todas as idades acessam a internet, utilizam o Whatsapp. Por isso, uma imagem, um meme que esclareça questões sanitárias, com base em informações científicas reais, tem um um valor inestimável.”

O pró-reitor de Extensão do IFC enfatiza que tanto a manutenção dos projetos quanto as adaptações propostas vão ao encontro do caráter social inerente da Extensão, uma vez que esta implica em contato direto com as comunidades. “Um exemplo é o projeto ‘Equoterapia Aliança’, realizado no Campus Rio do Sul em parceria com a Apae, que é uma atividade que atende pessoas com uma necessidade bastante específica e que estão impossibilitadas de ir à unidade. Então, qualquer maneira pela qual este vínculo possa ser mantido é uma vitória”. 

“Nesse contexto, é importante ressaltar que os projetos não são uma proposta desta Pró-Reitoria, e sim dos servidores que os elaboram”, acrescenta o professor. “Então, era essencial que déssemos aos coordenadores desses projetos, a partir de suas visões, a possibilidade de adaptação — ou até mesmo de interrupção, dependendo do caso. Porque, embora nossa defesa inicial seja de que praticamente tudo é passível de adequação à nova realidade, temos também a humildade de saber que algumas ações não podem ser transformadas. E que este período traz uma série de dificuldades não só para os estudantes, mas também para coordenadores dos projetos”.

O período da pandemia trouxe ainda novidades no que diz respeito à interação entre a comunidade interna. “É interessante quando muda a nossa perspectiva; quando nos damos conta de algo que já existia, mas que nós não percebíamos — e que, em momentos como esse, nos trazem um novo entendimento. Um bom exemplo são os jogos digitais. Havia uma grande preocupação com a realização dos Jogos Internos do IFC, com os esportes da modalidade clássica. Para suprir essa demanda, a Proex capitaneou a promoção do I Campeonato de League of Legends do IFC, que teve participação muito consistente dos campi. A partir dessa experiência, acabamos levando nossa expertise para o Sul Brasileiro, no qual o IFC teve muito destaque, e agora estamos dedicando esforços para o Campeonato Nacional. Ou seja, os participantes, cada um em sua casa, tiveram preservados um momento de interação, um momento lúdico com seus amigos. E, a partir daí, perceberam que o Instituto Federal, que antes não dava o devido destaque à possibilidade dos jogos eletrônicos, agora entende o quanto a modalidade é válida… e está mais próximo de suas realidades”. As tecnologias de comunicação permitiram ainda a manutenção em formato online de eventos importantes, como a realização da Micti e do IFCultura, e a participação de representantes do IFC no 38º Seminário de Extensão Universitária da Região Sul – SEURS. 

Outro aspecto trabalhado durante o período foi o da internacionalização. “A Proex firmou acordo com instituições congêneres internacionais, a exemplo da Organização Universitária Interamericana (OUI), e também aderiu ao programa PEC-G, do Ministério das Relações Exteriores — para que, futuramente, estudantes estrangeiros possam ter sua formação plena no IFC”, conta o professor.

Fortalecendo a base e preparando o futuro

Taques afirma que, durante a suspensão das atividades presenciais, a Proex procurou desenvolver iniciativas que irão não só embasar o eventual retorno à presencialidade, como também fortalecer a Extensão do IFC como um todo. “Durante o ano de 2020, criamos condições para que os projetos continuassem existindo. A partir do final de 2020 e começo de 2021, lançamos uma série de novos editais — como o de fortalecimento das Incubadoras de Empresas, o de Ações Sociais e o de Arranjos Produtivos Locais — com a perspectiva de que, sim, vamos conseguir ‘aglomerar’, voltar à presencialidade em breve. Então, temos uma série de ações para que a Extensão continue ativa e que os envolvidos prossigam com suas atividades. Mantivemos também as bolsas para os estagiários das Coordenações de Extensão nos campi, o que também é uma forma de os estudantes continuarem conosco, colaborando”. 

“É importante dizer que o número de submissões diminuiu, evidentemente, já que estamos impedidos de ter o contato”, prossegue o pró-reitor. “Mas estamos trabalhando com o que há no presente, com vistas para o futuro: fortalecendo as bases, para garantir um bom trabalho junto aos estudantes e à comunidade quando amainar a pandemia”.

Nesse sentido, o ano de 2020 foi crucial para preparar um passo importante do IFC na área: a curricularização da Extensão, estabelecida como obrigatória pelo Plano Nacional de Educação (PNE). “De acordo com a Lei 13.005/2014, que institui o PNE, as instituições tinham até o final de 2020 para desenvolver suas estratégias nesse sentido; com a pandemia, o Conselho Nacional de Educação prorrogou este prazo por mais um ano”, diz Taques. “Então, demos início a um trabalho, aliados à Proen e à Propi, para que tenhamos no IFC, de forma extremamente vanguardista nacionalmente, a curricularização da Extensão e também da Pesquisa. Este período serviu para que pudéssemos amadurecer este processo, que fará com que 10% dos currículos de todos os cursos superiores do IFC sejam compostos por atividades de Extensão. Isso vai aumentar muito o número de extensionistas do Instituto, já que significa que todos os estudantes dos cursos de Graduação estarão envolvidos com a Extensão. Também estamos trabalhando em um curso de Extensão, para que nossos colegas técnicos e docentes (e, futuramente, os estudantes) conheçam melhor o funcionamento dos projetos.

“Com estes processos de curricularização, o contato e o aprendizado com a comunidade serão fortalecidos”, completa o professor. “A sala de aula não vai ser só um espaço físico; o IFC passará a ter um movimento para além de seus muros, e a própria comunidade vai se sentir mais abraçada pelo Instituto. Isso é algo que, a partir das reflexões que fizemos nesse período, terá um efeito duradouro sobre o entendimento do que é nossa instituição”. 

Para o pró-reitor de Extensão, o IFC é um caso de sucesso no enfrentamento à Covid-19. “Nós não perdemos nenhum estudante, nenhum servidor. Isso tudo é fruto de um trabalho árduo de cuidado com a nossa comunidade acadêmica. Sabemos que talvez seja preciso, mais uma vez, respirar refletir… encontrar novas modalidades e pensar novas ações. Agir como sempre agíamos, mas de forma mais consciente das nossas limitações. Mas seguimos sempre olhando de uma forma muito esperançosa para o dia de amanhã, entendendo que este momento é passageiro, e que logo estaremos novamente fazendo aglomeração… que é sinônimo de Extensão!”

Confira também a entrevista com a reitora do IFC, Sônia Regina Fernandes, publicada em “Desafios, vitórias e quebras de paradigmas: a batalha do IFC contra o coronavírus”; como funciona o Comitê de Crise criado pelo Instituto para lidar com a Covid-19, em  “Resiliência e amadurecimento: Comitê de Crise do IFC atua para minimizar os impactos da pandemia”; os desafios de adaptação dos processos de Ensino durante o período, em As transformações no Ensino e a importância de manter o IFC presente”; e o processo de reformulação das atividades administrativas e financeiras em “Desafios e soluções: como a equipe administrativa se inovou na gestão do orçamento institucional durante a pandemia”.

 

Texto: Cecom/Reitoria/Thomás Müller
Arte: Cecom/Reitoria/Andréa Santana