Reitora do IFC assume presidência da Diretoria Executiva do Conif

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

A professora Sônia Regina de Souza Fernandes, reitora do Instituto Federal Catarinense (IFC), assumiu oficialmente a presidência da Diretoria Executiva do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) nesta terça-feira (23). Sônia integrou também a gestão anterior, como vice-presidente de Assuntos Acadêmicos.

A cerimônia de posse foi realizada em formato digital e transmitida ao vivo, pela internet, por meio do canal oficial do Conselho no YouTube, a partir das 17h.

A nova diretoria é composta ainda pelos seguintes reitores:

Cícero Nicácio do Nascimento Lopes – Instituto Federal da Paraíba (IFPB): vice-presidente de Assuntos Acadêmicos;

Cláudio Alex Jorge da Rocha – Instituto Federal do Pará (IFPA): vice-presidente de Relações Parlamentares;

Jefferson Manhães de Azevedo – Instituto Federal Fluminense (IFF): vice-presidente de Relações Institucionais;

Elias Monteiro – Instituto Federal Goiano (IF Goiano): vice-presidente de Assuntos Administrativos.

A cerimônia contou com a participação do secretário executivo do Ministério da Educação (MEC), Vitor Godoy — representando o ministro Milton Ribeiro — e do secretário de Educação Profissional e Tecnológica da pasta, Wandemberg Venceslau; da presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, deputada Dorinha Seabra; do presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Institutos Federais, deputado Reginaldo Lopes; do presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal (Capes), Benedito Guimarães Aguiar Neto; do presidente da Andifes, Gustavo Balduíno; e de reitoras e reitores de diversos Institutos Federais de todo o país.

Diversos atores em defesa da Educação – O primeiro a fazer uso da palavra durante a solenidade foi o reitor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Jair José Pela, que presidiu a Diretoria Executiva do Conif no ano de 2020. Ele destacou alguns dos principais desafios e conquistas da gestão anterior, como o enfrentamento das dificuldades impostas pela pandemia; o trabalho pela recomposição do orçamento da Rede Federal e pela escolha democrática dos dirigentes dos Institutos; a realização de webinars sobre boas práticas internacionais (e outras ações de internacionalização); e a realização da 44ª Reditec em novo formato em virtude da situação sanitária, entre outros feitos. “A pandemia trouxe muitos desafios, e nós trouxemos muitos resultados. A gestão do Conif é de apenas um ano; é rápida, como uma corrida de cem metros. É preciso largar rápido para trazer resultados importantes”, afirmou.

Em seguida, o deputado Reginaldo Lopes agradeceu a colaboração e parceria do Conif junto à Frente Parlamentar em Defesa dos Institutos Federais. “Temos pela frente pautas importantes para o povo brasileiro, como a garantia de um orçamento justo para a Educação e vacinação para todos. E temos no Conif um parceiro extraordinário na construção de uma agenda propositiva. Gostaria de reafirmar nosso compromisso e nossa parceria com a nova gestão, e colocar-nos à disposição para seguirmos juntos na caminhada em favor dos Institutos Federais”.

Logo depois, o presidente da Capes, Benedito Aguiar Neto, parabenizou a nova gestão e reafirmou a disposição de continuar o trabalho conjunto entre as duas entidades. “Todos nós que fazemos a Educação, a Ciência e a Tecnologia no país temos uma grande responsabilidade: desenvolver o conhecimento científico e tecnológico, a inovação, para o desenvolvimento econômico e social de nosso país. E, assim, queremos reiterar nosso compromisso com o Conif e todos os Institutos no sentido de apoiá-los nesse grande desafio”.

Wandemberg Venceslau, secretário de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do MEC, ressaltou que a mudança de mandatos anual na presidência do Conif é salutar, pois ressalta a pluralidade de pensamentos e ideias que formam a Rede e os Institutos Federais de Ensino. “Rede esta que é fundamental e que não parou durante a pandemia, ofertando Educação Profissional de qualidade mesmo em tempos de dificuldade. Os Institutos Federais são motivo de orgulho para a Setec, que permanecerá com as portas abertas para um diálogo transparente, ouvindo as necessidades das instituições e buscando de soluções”.

Após a assinatura do termo de posse, representantes da nova gestão fizeram uso da palavra. Elias Monteiro, vice-presidente de Assuntos Administrativos, salientou a importância dos Institutos Federais na democratização do saber e seu papel na construção de uma sociedade mais ética e solidária. “Almejamos otimizar a aplicação dos recursos financeiros de modo a maximizar os resultados do Conif, implementar um programa de Conif Sustentável, aumentar a captação de recursos extraordinários e aperfeiçoar o processo de planejamento e execução orçamentária, dentre outras metas que vamos discutir em conjunto”, afirmou.

O professor Cícero Nicácio Lopes, que assume a vice-presidência de Assuntos Acadêmicos, destacou a Educação e o Saber como o maior patrimônio que uma família pode deixar aos seus descendentes, apontando a grande responsabilidade da Rede e do Conif nesse contexto e os desafios que a pandemia trouxe para o trabalho dos educadores. “Estamos vivendo um momento de atipicidade, e uma de nossas grandes bandeiras é o retorno à normalidade. Por isso, reivindicamos a imunização de todos os profissionais de Educação. Queremos ter os atores do processo educacional atuando de forma segura, consciente, para que tenhamos o processo ensino-aprendizagem em sua plenitude”.

O novo vice-presidente de Relações Parlamentares, Cláudio Alex da Rocha, destacou a necessidade de fortalecimento da identidade da Rede e das regionalidades de cada Instituto, buscando ações integradas com as bancadas parlamentares e comissões regionais. “Nesse sentido, é preciso discutir e defender algumas pautas muito caras para nós, como a manutenção dos termos legais que balizam a escolha de nossos dirigentes, a recomposição do orçamento da Rede Federal para 2021 e a defesa da vinculação dos percentuais constitucionais de recursos para a Saúde e a Educação”.

Jefferson Manhães, eleito vice-presidente de Relações Institucionais, afirmou que a Rede Federal tem como missão preparar uma geração para lidar e liderar os avanços tecnológicos, mas que tenha uma formação ética e estética que a torne competente na arte de conviver e promover uma cultura democrática de paz e pela vida. “Diante desse cenário, esta vice-presidência tem como missão continuar fortalecendo o papel de representação do Conif no âmbito nacional e internacional, dialogando de maneira ativa e profícua com nossos parceiros a partir das experiências exitosas da Rede Federal e criando uma agenda estratégica comum para robustecer em nosso país a formação de uma sociedade democrática, diversa e plural”.

Após a fala dos vice-presidentes eleitos, o secretário-executivo do MEC, Vitor Godoy, sublinhou a relevância do trabalho conjunto entre o Ministério e o Conif. “Gostaria de enfatizar como a atuação do Conselho, enquanto instância de debate e discussão sobre a Educação Profissional e Técnica, é benéfica para a missão que todos nós temos em comum: de levar educação profissional de qualidade para milhões de brasileiros, para que possamos efetivamente suprir uma demanda real de profissionais para atender as necessidades do setor produtivo”.

Encerrando os trabalhos, a nova presidente da Diretoria Executiva do Conif, Sônia Regina Fernandes, iniciou sua fala agradecendo o trabalho das intérpretes de Língua Brasileira de Sinais que realizaram a tradução simultânea da transmissão e fez uma breve audiodescrição da posse para espectadores cegos e portadores de dificuldades visuais. Em seguida, parabenizou o trabalho da gestão anterior e assumiu a responsabilidade de dar continuidade a ações importantes que ainda estão em andamento. Sônia agradeceu aos servidores da Rede, tanto concursados quanto terceirizados, e a todos os estudantes – que, segundo ela, são a razão de ser dos Institutos.

A presidente do Conif trouxe então uma reflexão sobre o atual panorama sociopolítico brasileiro e a importância do Conselho e da Rede Federal diante deste quadro. “Vivemos o que venho chamando de um retrocesso civilizatório, em que o negacionismo e o obscurantismo produzem a morte em grande escala e que defender a vida, os direitos humanos e a igualdade virou ‘bandeira de esquerda’. Desde quando defender o direito à educação é pauta de um partido ou de outro? Não é! É pauta de todo ser humano que entende a importância de estarmos vivos e o papel fundamental da educação na constituição da existência humana”.

“Nós não podemos reduzir o conceito da Rede apenas à educação profissional; temos também os âmbitos científico e tecnológico”, prosseguiu Sônia. “Nossos estudantes têm acesso à ciência, à tecnologia, ao conhecimento historicamente construído, à cultura, à arte… àquilo que nós temos como compromisso, que é a educação integral. E é tempo de defender esse conceito de Educação em sua plenitude, e isso passa pelas ferramentas com que se garante, em um estado democrático de direito, a educação para todos”, disse, citando o teto de gastos instituído em 2017 e a iminente desvinculação dos percentuais do PIB dedicados à Educação e à Saúde como ameaças a essa garantia.

Texto: Cecom/Reitoria/Thomás Müller
Imagens: Conif/Rodrigo Gonçalves