Setembro Amarelo promove conscientização sobre a prevenção ao suicídio

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Conscientizar a população sobre a prevenção ao suicídio é o objetivo da campanha Setembro Amarelo – campanha criada, no Brasil, por uma parceria entre o Centro Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O mês foi escolhido para coincidir com o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, lembrado em 10 de setembro.

Durante o Setembro Amarelo, empresas, instituições de ensino, órgãos públicos, organizações não-governamentais (ONGs) e a própria sociedade civil organizada promovem ações de conscientização e prevenção ao suicídio em todo o país – como palestras, oficinas, distribuição de material informativo, caminhadas e passeios ciclísticos, entre outras. Mesmo a utilização de roupas amarelas ou do laço amarelo no peito que simboliza a campanha já contribuem para o movimento.

O suicídio é um problema de saúde pública global, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Dados do órgão apontam que 800 mil pessoas tiram a própria vida por ano – uma a cada 40 segundos, de acordo com relatório divulgado na segunda-feira (9). É a segunda causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos, ficando atrás somente dos acidentes de trânsito. A OMS ressalta que este número não retrata fielmente a realidade, já que existem muitas outras tentativas e óbitos que não são contabilizados como suicídio. No Brasil, a situação também é grave; dados do CVV apontam que uma pessoa comete suicídio a cada 45 minutos – ou seja, 32 mortes por dia.

A OMS alerta que nove entre cada dez mortes por suicídio podem ser evitadas. Por isso, é importante estimular as pessoas a discutir o problema a fundo e se mobilizarem pela prevenção. No entanto, o assunto ainda encontra resistência. “A morte em si já é um tabu. Morte por suicídio é ainda mais complicado, pois toca em questões de escolhas, crenças e barreiras sociais”, explica a voluntária e porta-voz do CVV, Leila Herédia.

“Pensar em suicídio faz parte da natureza humana. Uma pesquisa da Unicamp que diz que 17% dos brasileiros, em algum momento da vida pensaram em morrer por suicídio e que 4,8% chegaram a elaborar um plano para isso”, elabora a voluntária do CVV Blumenau, Zita Darugna. “No entanto, na maioria das vezes é possível evitar que esses pensamentos virem realidade.  É importante que a pessoa que está em sofrimento se sinta aceita e compreendida, que ela tenha uma oportunidade de desabafar, falar das suas dores, angústias, tristezas,sem interferências, críticas, julgamentos e cobranças”.
Diante desse quadro, a principal medida preventiva é a educação. Quebrar tabus, compartilhar informações, estimular o o diálogo e abrir espaço para campanhas de prevenção.  Muitas vezes, a pessoa em sofrimento sequer sabe que pode procurar ajuda, que existem estruturas – como o CVV, por exemplo – preparadas e capacitadas para oferecer apoio. Por outro lado, amigos e familiares de um potencial suicida às vezes não sabem reconhecer os sinais de alerta – como piora de desempenho escolar ou no trabalho, isolamento, falta de interesse por atividades antes apreciadas, alterações no sono e no apetite e frases como “quero desaparecer” ou “preferia estar morto”.

É justamente para adereçar essas questões que o movimento Setembro Amarelo existe. “É uma iniciativa para permitir que toda a população se engaje na causa e possa se capacitar para identificar sinais, pedir e oferecer ajuda”, afirma Leila Herédia.

“Quando um familiar ou amigo menciona o suicídio, é importante que ele  tenha o oportunidade de falar dessa dor. Porque a pessoa que morre por suicídio não quer morrer; quer  acabar com o sofrimento, que parece  não ter fim”, completa Zita Darugna. “A pessoa que está em crise suicida se sente sozinha, isolada. Se alguém se aproximar e perguntar ‘tem alguma coisa que eu possa fazer para te ajudar?’, a pessoa pode sentir abertura para desabafar. Nessa hora, ter alguém para ouvi-la pode fazer toda diferença.” E qualquer pessoa pode ser esse ombro amigo, sem fazer criticas, julgamentos ou dar conselhos”.

Sobre o CVV – Fundado em 1962, o Centro de Valorização da Vida é uma das Organização Não-Governamentais (ONGs) mais antigas do país. O CVV presta serviço voluntário e gratuito de prevenção do suicídio e apoio emocional para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. o serviço é prestado por meio do telefone 188 (ligação gratuita) e também por chat online (cvv.org.br) e pessoalmente, nos postos de atendimento. O CVV oferece ajuda até mesmo por e-mail; o formulário para envio da mensagem está disponível no endereço cvv.org.br/e-mail.

A entidade conta hoje com cerca de 3 mil voluntários que realizam por volta de 3 milhões de atendimentos por ano. O CVV promove ainda ações presenciais, como palestras, Curso de Escutatória e grupos de apoio a sobreviventes do suicídio.

Setembro Amarelo no IFC – O Instituto Federal Catarinense também faz parte deste movimento. A Coordenação-Geral de Comunicação desenvolveu materiais gráficos de divulgação da campanha, como cartazes para serem afixados nos murais de todos os campi e imagens para postagens nas redes sociais. Além disso, os campi promovem uma série de atividades, conforme você confere a seguir:

  • O Campus Santa Rosa do Sul organiza, no próximo dia 16, a palestra “Cuidar de Si – Prevenção Contra o Suicídio”, com o psicólgo Maicol de Oliveira Brognoli. A atividade será realizada no auditório da unidade, em dois horários: às 13h, para os alunos dos terceiros anos e servidores, e às 15h15, para estudantes dos segundos anos e servidores. Há ainda um mural no pátio com informações sobre o tema e espaço para recados de apoio.As ações são desenvolvidas pela Coordenação-Geral de Assistência Estudantil,  pela Diretoria de Desenvolvimento Educacional e pela estudante Bruna Paganini, do terceiro ano do curso técnico em Agropecuária integrado ao ensino médio.

  • No Campus Blumenau, o Setembro Amarelo será marcado por uma série de palestras que começa na próxima quinta-feira (12). A programação oferece uma visão multidisciplinar sobre o assunto, abordando temas como depressão e ansiedade, apoio emocional e prevenção, o uso apropriado de medicamentos e o autoconhecimento e promoção de bem-estar pessoal por meio da yoga. Confira o cronograma completo das ações abaixo:

  • O Campus Araquari preparou uma gama diversificada de atividades para o movimento. Uma delas é a Árvore da Vida, na qual os estudantes vão pendurar recados e bilhetes com frases motivacionais de força de otimismo. Durante a Semana do Ensino, Pesquisa e Extensão (Sepe) do campus, dia 19, ocorre a oficina “Importância de Falar e Entender o tema Suicídio”, ministrada pela equipe de Saúde da Prefeitura de Araquari; o evento também contará com um estande com materiais informativos e um profissional da área da Saúde à disposição. Haverá ainda um momento, no dia 25, com os pais/responsáveis dos estudantes, durante a reunião Família e Escola, conduzido pelo Núcleo Pedagógico.A campanha prossegue no dia 26, os psicólogos Tatiane Felício e Gabriel de Oliveira ministram uma palestra sobre a Valorização da Vida, no auditório da unidade, a partir das 13h30, voltada principalmente para os estudantes do Ensino Médio. Os interessados podem mandar perguntas e sugestões para serem abordadas durante a conferência pelo link http://bit.ly/amareloIFC. Além disso, os professores da comissão organizadora do Setembro Amarelo no campus vão abordar a temática do suicídio de forma integrada em sua aulas. O Grêmio Estudantil também está elaborando cartazes e atividades próprias.

 

  • A comunidade acadêmica do Campus Videira vai participar da Caminhada Pela Vida, promovida pelo Centro de Atenção Psicosocial (Caps) do município no próximo dia 25 . O evento conta com apoio do CVV e contará também com atividades culturais.

 

  • A Reitoria do Instituto promove, por meio do Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor (Siass), a distribuição de material informativo sobre o Setembro Amarelo e os serviços de orientação disponíveis por meio do Siass – que conta com médico, psicólogo e assistente social para o atendimento.

 

Texto: Cecom/Reitoria/Thomás Müller, com informações do CVV-Blumenau e colaboração das Cecoms de Araquari, Blumenau, Santa Rosa do Sul e Videira