Estudante do IFC conquista 1º lugar em exposição científica nacional

quarta-feira, 12 de junho de 2019

O estudante Gustavo Kloch Neideck, que cursa o 3º ano do curso técnico em Agropecuária integrado ao Ensino Médio no Campus Rio do Sul, representou o IFC na última edição da Exposição Nacional do Movimento Internacional para o Recreio Científico e Técnico – MILSET, realizada no fim de maio em Fortaleza-CE. A feira reuniu trabalhos de estudantes de cinco regiões do país – e também de cinco países convidados.

O trabalho apresentado por ele no evento, “TaipaEstock – Armazenamento de Grãos Utilizando Taipa de Mão”, foi premiado com o primeiro lugar na categoria Ciências Agrárias – vitória que credenciou Gustavo a participar da Exposição MILSET América Latina, marcada para 2020, em La Pampa, na Argentina.

O projeto do estudante apresenta uma alternativa mais barata e eficiente para a construção de espaços de armazenagem de grãos. “A ideia é ajudar os agricultores no período pós-safra, em que a demanda de produtos agrícolas está muito alta – o que consequentemente faz com que os preços diminuam significativamente” explica Gustavo. “Para resolver esse problema, desenvolvemos um galpão construído no sistema taipa de mão, mais conhecido no Brasil como pau-a-pique (técnica em que a armação das paredes é feita com madeira ou bambu e depois preenchida com barro e fibras vegetais, como capim ou palha). Além de barato e ecológico, o galpão tem poder de absorção de umidade em suas paredes, o que faz com que ele se torne muito eficiente para o armazenamento de grãos”.

 

Etapas da construção do protótipo de galpão do projeto TaipaEstock

 

Para demonstrar a eficiência do projeto, o jovem pesquisador construiu um protótipo de depósito em taipa e outro em aço para comparação de dados de armazenamento de grãos, buscando reproduzir o armazenamento em silos tradicionais. Em seguida, colocou em cada protótipo três lâminas com fungos inoculados em uma quantidade de arroz. Percebeu-se então que o arroz que foi colocado no protótipo de taipa permaneceu mais seco e os fungos se desenvolveram menos que no protótipo de aço. “Isso se deve ao fato de que o barro mantém a temperatura do espaço mais estável e a umidade em níveis adequados ao armazenamento”, conta a professora do IFC e orientadora do projeto, Karla Fünfgelt.

As informações coletados pela pesquisa apontam vantagens significativas. O tipo de galpão proposto pelo TaipaEstock pode ser executado facilmente por pequenos agricultores, uma vez que não exige mão-de-obra especializada. Também pode ser feito com material encontrado localmente e apresenta custo de execução bem menor do que a compra de um depósito tradicional.

Gustavo e sua orientadora, professora Karla Fünfgelt, na MILSET 2019

Iniciação Científica e aprendizado – O projeto nasceu em 2017, ano em que Gustavo ingressou no curso. “Ele me procurou para ser orientadora de seu projeto de Iniciação Científica, que aqui no campus é disciplina integrante da grade curricular dos alunos”, explica a professora Karla. “No início, ele ainda não tinha uma ideia formada sobre o projeto; então, eu trouxe algumas ideias dentro da área de bioconstruções. A partir daí, ele decidiu pela construção de um depósito de sementes utilizando a técnica da taipa de mão e começou a desenvolver o projeto”.

O trabalho de Gustavo logo começou a render bons resultados. Já no ano seguinte, ele apresentou o projeto na Feira do Conhecimento Científico e Tecnológico do IFC, a Fetec; em seguida, foi indicado para participar da Mostra Internacional Científica e Tecnológica, a Mostratec, em Novo Hamburgo – RS e na Experiência Beta, da organização Ciência Beta. e no Experiência Beta. Após essas experiências, o estudante decidiu se inscrever em outras feiras e teve o trabalho classificado para participar na MILSET. O TaipaEstock foi selecionado ainda para participar do programa de mentoria científica Decola Beta, também organizado pela Ciência Beta.

“Realizar um projeto científico no Ensino Médio foi uma das melhores coisas que o IFC me proporcionou”, ressalta Gustavo. “A aprendizagem que tive e as amizades que criei nas feiras são coisas que vou levar para a vida toda. O projeto também me estimulou a ser mais curioso e independente. Pretendo continuar a melhor o TaipaEstock, realizando novas análises e coletando mais dados – e também participar de mais feiras científicas, caso eu seja selecionado”.

Texto: Cecom/Reitoria/Thomás Müller
Imagens: Arquivo Pessoal/Gustavo Neideck e Karla Fünfgelt