Novo Mestrado Profissional em Tecnologia e Ambiente do IFC é aprovado pela Capes

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) aprovou nesta quarta-feira (5) o Mestrado Profissional em Tecnologia e Ambiente do IFC, que será ministrado no Campus Araquari. Com isso, o Instituto passa a ter três mestrados, junto com o Mestrado Profissional em Produção e Sanidade Animal, sediado em Araquari e Concórdia, e o Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica em Rede Nacional, com pólo no Campus Blumenau.

O novo Mestrado possui como área de concentração “Desenvolvimento de Processos e Tecnologias Ambientais”, com duas linhas de pesquisa – conforme explica o diretor de Desenvolvimento Educacional do campus, professor Cleder Somensi, coordenador da proposta do curso. “Uma delas, “Desenvolvimento Rural Sustentável”, objetiva produzir conhecimento para a conservação, recuperação e promoção da sustentabilidade ambiental rural. Ela busca desenvolver soluções ambientalmente adequadas e socialmente justas para produção de alimentos, focando na segurança alimentar e na manutenção das populações locais atreladas a essas atividade. Essa linha procura ainda desenvolver estratégias de manejo e conservação dos recursos naturais e de manejo voltado para o desenvolvimento socieconômico do território.”

Já a outra linha de pesquisa, “Tecnologias Ambientais”, adereça o desenvolvimento das atividades produtivas na região e seus consequentes impactos socioambientais. “É necessário promover o desenvolvimento sob uma visão holística, não permitindo que qualquer um dos setores – econômico, social ou ambiental – seja favorecido em detrimento dos demais. Assim sendo, essa linha de pesquisa tem como meta pesquisar e desenvolver novos processos que possibilitem a redução e reciclagem de resíduos industriais e agrícolas e o monitoramento e uso ordenado dos recursos naturais”, explica Somensi.

Nesse contexto, o Mestrado em Tecnologia e Ambiente será intrinsecamente interdisciplinar. Os professores do curso têm formações bastante diversas – como Geografia, Agronomia, Biologia, Veterinária, Física, Ciências Sociais, Química e Ciências Agrárias. O quadro é composto, em sua maioria, por docentes do próprio Campus Araquari – mas há ainda professores do Campus de São Francisco do Sul e também da Univali e da Furb.

Somensi ressalta que, por ser um mestrado profissional, o programa atende principamente trabalhadores ligados a áreas não academicas. “É um curso voltado principalmente – embora não exclusivamente – aos profissionais que atuam diretamente no mercado de trabalho – seja serviço público, na iniciativa privada ou no terceiro setor. E, assim sendo, vale ressaltar que a proposta atende diuretamente os sevidores do IFC – como, por exemplo, os técnicos dos nossos laboratórios de biologia, química, física e outras áreas ligadas a essa temática interdisciplinar.”

De acordo com o coordenador da proposta, a estruturação de uma proposta de mestrado como essa já era discutida no campus desde 2012. “Com a chegada de novos servidores, com formações diversas, esse trabalho tomou força, levando à formulação e apresentação da proposta à Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação em 2017 – ano em que o Grupo de Trabalho responsável pelo projeto se reuniu quinzenalmente para trabalhar na elaboração do Mestrado.”

Desenvolvimento regional – Segundo o diretor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IFC, professor Eduardo Werneck (que também integra o corpo docente do Mestrado), a elaboração do curso levou em conta o contexto regional em que estará inserido – em um processo que contou com o envolvimento do setor produtivo de Araquari. “É um mestrado que tem um caráter de aplicação; que tem um apelo voltado para o desenvolvimento de tecnologias ambientais. O programa envolve pequena produção, resíduos sólidos, tratamento de resíduos líquidos, preservação do meio ambiente… é bem diverso”, explica.

Esse conceito é reforçado pelo professor Cleder Somensi. “Nós temos em nossa região a Baía da Babitonga, que é a maior área de mangue do sul do país, um verdadeiro patrimônio natural da região sul; e, ao mesmo tempo, os setores industrial e bem desenvolvido – Joinville, por exemplo, é o terceiro maior polo industrial do sul do país. Santa Catarina é ainda destaque nacional na questão dos pequenos produtores. E as linhas de pesquisa do nosso programa atendem especialmente – embora não exclusivamente – às demandas sociais, ambientais e econômicas geradas por esses fatores”, diz.

Os professor ressaltam ainda a importância do Mestrado no âmbito da interiorização do conhecimento. “Esse novo curso representa ainda mais um passo no processo de interiorização das pós-graduações”, conta Werneck. “Levar um mestrado para uma cidade que não é capital, proporcionando ensino e pesquisa, realizado articulação com as forças produtivas locais, é uma grande contribuição para o desenvolvimento daquela região”.

Ele ressalta que 0utro elemento que contribuiu para a aprovação do Mestrado pela Capes é o fato de ele envolve também o ensino técnico. “Esse é um diferencial: o mestrado retroalimenta uma cadeia de pesquisa de extensão não apenas com a graduação, mas também com o técnico”, diz Werneck. “O Campus Araquari tem uma vocação reconhecidamente agrícola e nossos cursos na área – Medicina Veterinária, Agronomia, Licenciatura em Ciências Agrícolas e o curso técnico em Agropecuária – estão bem bem verticalizados”, acrescenta Somensi. “Agora, com o criação do Mestrado, fazemos o link entre a questão rural e os nossos cursos mais recentes, mais voltados à tecnologia, como a Licenciatura em Química, o Bacharelado em e Sistemas da Informação”.

O diretor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IFC lembra ainda que o Instituto tem mais três propostas de Mestrado em processo de aprovação pela Capes. “São duas propostas de mestrados profissionais no Campus Rio do Sul – um em Ensino de Ciências e Matemática e outro em Orizicultura – e uma de mestrado acadêmico em Educação, no Campus Camboriú”, finaliza.

 

Texto: Cecom IFC/Thomás Müller