Avanços e desafios dos Institutos Federais são discutidos no segundo dia da Reditec Sul

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Uma mesa-redonda sobre avanços e desafios da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT) marcou o segundo dia da Reunião dos Dirigentes das Instituições Federais de Educação Profissional e Tecnológica da Região Sul (Reditec Sul), nesta quarta (20), em Lages. A atual secretária de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC), Eline Neves Braga Nascimento, e o ex-titular da pasta, Eliezer Moreira Pacheco, apresentaram suas visões sobre o tema. O segundo dia de Reditec Sul teve, ainda, oficinas e reuniões de fóruns temáticos.

Para Eliezer Pacheco, que dirigiu a Setec de 2005 a 2012, a criação dos Institutos Federais (IFs), em dezembro de 2008, foi o que de mais importante aconteceu na história da educação brasileira. A origem desse novo tipo de instituição, que diferenciou-se das escolas técnicas e das universidades teve “a ver com um projeto de país democrático, inclusivo e soberano”, segundo o ex-secretário. “Os IFs não foram um projeto isolado”, disse.

Os Institutos Federais nasceram com a proposta de formar não apenas operários, “mas cidadãos e cidadãs que pudessem ser técnicos ou qualquer outra que quisessem”, segundo o ex-secretário. A ideia era de que a pessoa pudesse fazer desde a formação inicial até o doutorado dentro da mesma instituição, na chamada verticalização do ensino. Outro compromisso das novas instituições era o de atender as demandas e colaborar com o desenvolvimento dos territórios onde seus câmpus estivessem localizados.

Já Eline Neves, secretária desde 2016, trouxe alguns números da educação profissional no País, destacando as cerca de 1 milhão de matrículas da RFEPCT – a maior parte em cursos técnicos (54,67%) e graduação (25,3%). Atualmente, a rede, composta por 38 IFs, dois Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets) e o Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, tem 644 câmpus, 38 mil professores e 32 mil técnicos administrativos.

Desafios

Um dos grandes desafios da RFEPCT, na visão de Eline, é ter que lidar com a escala. “Tudo o que fazemos no Brasil é em grande número”, afirmou, referindo-se ao grande número de habitantes que o Brasil possui. Outros pontos abordados pela secretária foram a sustentabilidade da rede em termos de recursos financeiros, a busca por novas fontes de financiamento e o cumprimento da meta 11 do Plano Nacional de Educação, de triplicar as matrículas na rede até 2024.

“É necessário ter gente nos IFs pensando em como obter recursos”, recomendou Eline Neves. Uma das maneiras apontadas pela secretária para obter mais investimentos é por meio de parcerias entre os institutos federais e o setor privado.

Eliezer Pacheco elencou mais de uma dezena de desafios para os Institutos Federais, dentre os quais, comprometer-se com a inovação, aproximar-se da educação básica, atuar em rede, manter e ampliar a qualidade, democratizar o acesso e cuidar da permanência. O ex-secretário também colocou a relação com o setor produtivo como um dos desafios, mas com os IFs “mantendo o controle da agenda”.

Oficinas e fóruns

Ainda no segundo dia de Reditec Sul, foram realizadas três oficinas temáticas, sobre o contexto atual da educação profissional e tecnológica, sobre permanência e êxito e sobre educação a distância. Na oficina sobre permanência e êxito, vários câmpus apresentaram cases de iniciativas, dentre eles, os Câmpus Lages e Tubarão do IFSC.

O Câmpus Lages falou sobre o kit-lanche, uma proposta que veio da Pró-Reitoria de Ensino (Proen) e aplicada pela primeira vez no câmpus. O case consiste em um sistema online criado – com participação de alunos do câmpus – para gerenciar a oferta de um lanche da cantina por dia subsidiado pelo IFSC para estudantes com alto Índice de Vulnerabilidade Social (IVS). Por meio do sistema, o estudante faz a reserva de seu “kit” para determinado dia da semana, possibilitando ao fornecedor do serviço de cantina ter um controle exato de quantos lanches deve servir a cada dia.

“O ‘cantineiro’ recebe informação diariamente sobe quantas entregas deve fazer e quantos produtos deve entregar, diminuindo o desperdício. Isso gera um relatório de lanches entregues”, explicou o chefe do Departamento de Ensino do câmpus, Vilson Heck Júnior. A possibilidade de oferta do kit-lanche já era prevista na licitação de contratação do serviço de cantina do Câmpus Lages.

O Câmpus Tubarão, por meio da diretora-geral Consuelo Sielski Santos, apresentou várias iniciativas ligadas à permanência e êxito. Uma delas, o “Papo Aberto”, é uma conversa semanal, nos intervalos de aulas, da equipe gestora com os estudantes para esclarecer dúvidas sobre a instituição. “Os alunos se interessam muito por temas que não conhecem”, relata Consuelo. Dentre as outras ações do câmpus apresentadas, esteve o compartilhamento de planos de ensino dos cursos entre os servidores, buscando integrar atividades, e a realização de pesquisas de avaliação do curso com os alunos no meio e no fim de semestre.

Outra atividade que ocorreu no segundo dia foi a reunião de quatro fóruns setoriais para debater temas ligados a educação do campo, gestão de pessoas, relações internacionais e tecnologia da informação.

A primeira edição da Reditec Sul termina nesta quinta (21), com apresentação do Orion Park Tecnológico da Serra Catarinense e reunião para finalizar a “Carta de Lages”. Ambas as atividades ocorrem no Câmpus Lages do IFSC.

Imagens: Edwin Müller e Felipe Silva.